Eu sei, não me xinguem. Faz um tempo que eu não escrevo! Mas não é por falta de vontade, é por tempo mesmo!
Mas visto que essa banda merecia nem que fosse um comentário, vim até aqui pra lhes mostrar esse achado.
Eu conheci Rival Sons em umas das minhas aventuras pelo YouTube, justamente procurando por uma banda fodástica para satisfazer o tédio que sinto quase sempre pela minha biblioteca do Winamp. Eu lembro de ter visto o vídeo da música “Pressure and Time” e pensei (me perdoem as palavras) “Puta que pariu, que banda massa”. Aí então, resolvi olhar mais uns vídeos (porque eu queria ter certeza que eles eram bons IOSDUHFOIU), e me deparei com muita coisa boa.
O guitarrista Scott Holiday é simplesmente um CAVALO na guitarra (além de usar amplificadores da Orange e ter um bigodinho muito do simpático) e preenche as músicas com “solinhos” fora do lugar. Curti muito o baixista Robin Everhart também, que segue uma linha meio punk na coisa. Na Pressure and Time isso fica muito claro, e em muitas outras também. O baterista Michael Miley destrói também, e o vocalista Jay Buchanan tem uma voz que se eu tentar descrever, eu não vou conseguir. Ele tem uns agudos perfeitos, estilo Robert Plant. Sem falar nos backing vocals que eles fazem, ah, tô muito apaixonada pela banda pra falar! Ouçam vocês, e se não gostarem podem me dar um soco na cara que eu deixo (é que eu garanto que vocês vão amar).
Aye! Para Frederico Westphalen e região! Sábado, dia 12 de maio, na Lugosi Rock Bazar vai rolar um acústico pela banda Excellence, de Ijuí, com o objetivo de arrecadar agasalhos para os necessitados! O invernão sulista é de rachar a pele, e muito precisamos de altruismo hoje em dia. Para ganhar o convite, basta doar um agasalho. Atenção: vão ser cerca de 30 lugares privilegiados para prestigiar os caras que, além de fazerem um hard rock com pontadas sagazes de power metal, também sabem meter bala num acústico! Mas, é claro, não há limite para as doações.
Às 16h00 lá na Lugosi! Para maiores informações, segue o webflyer do evento com endereço e telefone para maiores informações.
Na Lugosi Rock Bazar, 16h00! Don't fuckin' miss it!
Bom, eu estava cansado da viagem do dia anterior e da falta de descanso, mas, depois da bela viagem de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, onde trocaríamos de avião para irmos até São Luís, encontramos no aeroporto Galeão uma bela surpresa: membros do Symphony X e do Exciter estavam curtindo o calor carioca e estavam também indo para a terra do Metal Open Air naquele momento! Eles conversavam sobre coisas que viram no Rio, sobre viagens e coisas cotidianas. Estavam animados para os shows.
Dentro do ônibus que nos transportaria para a pista de embarque, notávamos as constantes conversas dos músicos, e o entusiasmo para tocar.
“Ei! Gostei da sua camiseta!” comentou Russell Allen, vocalista do Symphony X (eu estava vestindo uma camiseta do Dio). “Ronnie James Dio era o cara!” respondi. “Ele era mesmo um cara único”, adiciona.
O grande guitarrista Michael Romeo
Tivemos a oportunidade de interagir e conversar bastante com eles durante a viagem.
Durante o vôo Russell até revelou: “A gente gosta de viajar e queremos tocar logo… mas queríamos ir à praia antes!”
Os caras são realmente muito atenciosos e humildes. Russell até ajudou a Juliana a guardar e a retirar a mala do compartimento do avião, no alto.
O aeroporto de São Luís estava mal organizado, e estava passando por manutenções. Quando chegamos à área das esteiras, um grupo de dançarinas de frevo e um bumba-meu-boi nos recepcionaram. Todo mundo estava surpreso quanto à estranha chegada.
O canadense Kenny “Metal Mouth” Winter, do Exciter estava de olhos arregalados, filmando a coisa toda. E exclamando “mas que diabos!”. Ele me pergunta: “cara, isso é o normal daqui? Acontece esse tipo de coisa o tempo inteiro?”, para o que respondi “isto é uma casual investida da cultura regional, é só daqui mesmo…”, e ele, rindo, comenta: “porra, espero que seja mesmo! Essa coisa é muito bizarra!”
O animado thrasher Kenny Winter
Já saindo do local, ele volta de uma van, muito confuso, e me pergunta: “cara, onde é que eu pego a minha mala?”
Ambas as bandas tocaram no primeiro dia do desastroso festival. O Exciter abriu o show, passado das 15h00 e o Symphony X tocou antes do Megadeth, a atração final, já passado da meia-noite. As bandas tiveram problemas também, gerais e básicos. Kenny teve de voltar ao hotel para tomar banho. E após os diversos problemas com o som e as dúvidas se realmente iriam tocar, Michael Romeo, durante uma pausa do show, foi até o camarim e deu um abraço em Dave Mustaine.
N.A.: esse texto foi feito durante minha estadia em São Luís, mas só agora consegui internet veloz o suficiente para ajeitar as coisas e publicar, pois já cheguei em Porto Alegre, e a Juliana está no vôo para o Rio de Janeiro agora. Tem muitos textos a serem feitos sobre o Metal Open Air, e várias coisas prontas. As resenhas sairão assim que eu chegar em Frederico Westphalen, a partir de amanhã a noite. A resenha completa com todas as bandas sairá no Road To Metal, e algumas parciais com opiniões próprias e de uma forma mais informal e mais focada no ato de banguear serão publicadas aqui.
Isto não é uma resenha. É um preview.
E repito, sairá muito sobre o Metal Open Air por aqui. Muitas coisas diferentes de publicados na mídia, e em outras uma verdadeira compilação de toda a merda que aconteceu e de absolutamente tudo que rolou nos shows, bastidores e os rumores por aí.
Postarei algumas fotos e vídeos, mas a maioria só poderei postar depois de chegar em casa. Isso porque em duas horas parto para o Teatro do Bourbon para pegar um bom lugar para ver o show conjunto do Anthrax e Misfits. É, cheio de queimaduras, calos, feridas de mosh, headbang, rodas e walls of death, mas hoje tem metal.
Chegando “tarde” no evento. Só cinco horas antes do primeiro show.
Bom, já houve repercussão internacional sobre os problemas do Metal Open Air. Aqui nós iremos postar alguns comentários sobre todo o festival e postaremos algumas fotos dos shows, mas as informações completas e demais fotos nós publicaremos nas resenhas e comentários posteriores, que sairão nos dias seguintes. Iremos, aliás, fazer um post sobre todas as barbaridades que vimos, os problemas que aconteceram, relatos que coletamos e informações amplamente divulgadas e comentadas pela mídia.
Ressaltamos aqui que sentimos, e muito, a falta não só das amadas bandas que idolatramos mundo afora, mas também das injustiçadas bandas brasileiras que tão bem representam o mundo metaleiro do nosso país, e que foram imensamente desprezadas nesse mar de desrespeito. São bandas como o Ratos de Porão e Matanza que precisávamos lá para vencer o cansaço que nos proporcionava aquela palhaçada toda.
É inevitável falar dos problemas. Depois de viajarmos muitos milhares de quilômetros e atravessarmos o país com o objetivo de presenciar uma superprodução que bateria de frente com festivais como o Wacken e o Bang Your Head, notamos que a estrutura não estava tão boa…
Como visto no post anterior, Shadowside e Hangar haviam cancelado suas aprensetações, e no dia do show soubemos que Saxon e Venom também tiveram problemas (no caso do Venom foi um problema com os vistos).
Bom, a primeira coisa que pudemos notar: a dificuldade de achar a entrada, muito mal indicada. Há uma longa distância entre uma área de bilheteria inativa onde se concentram táxis e venda de lanches e bebidas, confundindo quem tenta achar o local. Quando se descobre que não é lá, há um bom caminho a se caminhar até a entrada. Quando chegamos lá, caminhamos bastante mais pela extensa área do parque independência até encontrar a fila, que estava grande, e muito lenta. Não havia sequer venda de água por lá. Quem quisesse, deveria trazer ou refazer a longa caminhada até o ponto anteriormente descrito.
Depois da demora toda, conseguimos entrar na bilheteria real, e o atraso se dava pelo fato de que era difícil fazer a troca de alguns tipos de e-ticket, e demoraram muito para liberar tudo. Quem era da imprensa teve dificuldades séries: as credenciais foram liberadas com muito atraso, até mesmo depois dos primeiros shows.
Mas é aí que entra um dos maiores problemas: o atraso dos shows. Demorou muito para se montar algumas coisas do palco, e a passagem de som fora feita na hora. O festival fora organizado há meses, mas a passagem de som foi na hora, e com horas de atraso. O equipamento do palco deixava a desejar, e parte do mesmo havia sido emprestado pela equipe do Megadeth.
Bom, para quem esperava pelos shows, muito embora o serviço de venda de bebidas era bom - havia barracas em todo lugar - só havia um local para se alimentar: a churrascaria, que originalmente seria batizada de Mad Butcher, o mascote do Destruction. Bom, não haviam muitos assentos e era muito demorado para se conseguir fazer o pedido. Com o tempo, foram anexadas a venda de lanches ao lado da churrascaria, mas a princípio não dava conta.
Nada nos era informado. As únicas fontes de informações que tínhamos eram através da internet móvel, e através dos sites e redes sociais dos artistas que reclamavam e acabavam cancelando os shows, já que nada era divulgado no site oficial do evento.
O sol estava forte, e quem ficava lá sentia a dor das queimaduras e das horas em pé.
Mas, dificuldades (muitas) a parte, detalharemos sobre isto mais tarde. Hoje o Procon - que recebeu muitas reclamações - vai estar acampando por lá, então, talvez haja mais tranquilidade. Aliás, tranquilidade e acampamento são duas palavras-chave dos pontos negativos, pois a segurança era muito pequena e mal organizada, e os campings não estavam em seu melhor estado de conforto. Sorte nossa que há respeito mútuo entre fãs do gênero, e que todo mundo sabe se virar. mas viemos de muito (muito) longe, não iríamos desistir.
Sobre os shows: depois de vários cancelamentos a mais (além de Shadowside e Hangar, uma das primeiras bandas na programação, Headhunter D.C. também não se apresentou, por exemplo), às 15h16 (desculpe, mas temos que salientar, foram cerca de cinco horas de atraso, e no sol forte e direto da linha do equador) começou a série de shows. E começou bem. Direto com Exciter, e os berros de Metal Mouth (que tínhamos encontrado, aliás, no avião do trecho Rio-São Luis, e batemos um papo. Mas isso a gente conta depois). O Exciter foi uma das bandas que mais beiraram à perfeição, pois não houve uma única falha: o instrumental excelente, as letras destrutivas e a performance energética combinada com a execução de petardo após petardo deixou a coisa genial. Talvez uma boa opção para a desesperada tentativa da produção para se redimir do atraso.
Logo depois do Exciter, rolou o show da banda israelita Orphaned Land. Foi memorável. Com a interpretação incrível do vocalista Kobi Farhi que alternava entre guturais poderosíssimos e o melódico estilo da música israelita. O carismático guitarrista Yossi Sassi dançava ao estilo de seu país também, de forma muito energético, ao mesmo tempo que botava peso na música. O baterista Matan Shmuely até ficava de pé, e, junto com o baixista Uri Zelcha e o guitarrista Matti Svatitzki não parava de bater cabeça. Foi simplesmente incrível. Death/Doom Metal combinado com folk do Oriente Médio, música arábica e uma performance dessas é algo inexplicável, e causa todo o tipo de sensações no público.
Orphaned Land e as bandeiras!
Logo depois, uma das mais esperadas da noite tomou as rédeas: Anvil. Em um show excessivamente energético, os canadenses deixaram tudo muito movimentado. Quem pensava em desistir por causa do cansaço da espera provavelmente mudou de ideia ali. O público se aglomerou no palco da direita, e milhares de pessoas estavam ali bangueando sem parar.
Na apresentação do Almah (que não recebeu seu cachê e financiou a viagem e todo o custeamento da própria apresentação) houve até mesmo uma participação do vocalista do Fúria Louca. Foi também gravado parte do clipe de uma de suas músicas recentes.
Seguiu-se então com a apresentação dos brasileiros do Shaman que, bem como os companheiros do Almah, vangloriaram o Metal Open Air e o movimento brasileiro da música pesada. Ousadamente, devo dizer, pois esse lance dos brasileiros estava mesmo complicado. O Shaman também criou a música-tema do Metal Open Air. Apesar da letra que de fato deixa a desejar, o riff é realmente interessante.
Voltando ao thrash metal, estivemos agora presenciando uma estonteante apresentação dos alemães do Destruction. Uma das bandas do “big 4″ alemão, o Destruction fazia mesmo valer a sua fama: música agressiva, com temas ameaçadores e que levam o público a pular, bater cabeça e fazer rodas o tempo inteiro. As guitarras soaram um pouco diferente do usual. Um pouco de fato pela parte técnica da produção, mas também um pouco pela mudança casual do jeito dos músicos de tocar que vem acontecendo em nesses tempos. Como banda influente, seus clássicos deixam o público completamente pirado, e em músicas como Mad Butcher (que seria também o nome oficial da churrascaria do evento, o que não foi salientado em decorrência da organização desleixada) e Bestial Invasion o óbvio aconteceu: os metaleiros old school de plantão ficaram em transe.
E era apenas uma da sequência principal da noite. Pois logo após o término deste show, víamos o povo correr para a área do show do palco ao lado, que seria o local de apresentação dos americanos do Exodus. Após uma demora tolerável (mas talvez desnecessária), os equipamentos foram ajustados. Logo depois já podíamos ver a cara maníaca do vocalista Rob Dukes. O Exodus tinha um tempo limitado, mas pôde executar clássicos, músicas do Exhibit B: The Human Condition e outras recentes. Nem é necessário comentar muito sobre o efeito do clássico Bonded By Blood: rodas punk, mosh pits, muito headbanging e um clima muito thrash tanto pra quem estava lá atrás correndo como pra quem estava ali na frente observando o show e sendo esmagado. E foi uma performance e tanto. Ver Gary Holt, o maior guitarrista da história do thrash, com aquele estilo calmo e aquele headbang violento frenético repentino, logo antes de tentar trucidar as cordas de sua Flying V em um solo e em seus incomparáveis riffs é algo único.
Gary Holt é só o mais importante guitarrista do thrash metal. Só isso.
No meio do show ouvimos Deathamphetamine, na qual o público gritava e, apesar de com mais de 8 minutos ser a mais longa faixa do Shovel Headed Kill Machine, ninguém queria ver acabar. Tradicionalmente, depois desta vem a que é provavelmente o maior clássico da última década do Exodus: o superpetardo Blacklist, com seus riffs extremamente viciantes, pesados, agressivos, uma letra que faz jus a esse clima pesado e rancoroso, bateria e baixo destacados e solos destruidores completando a aniquilação do silêncio. Durante a intro ouvimos: “girem, pulem, filhos da mãe! BANG YOUR FUCKIN’ HEAD!” Durante a performance dessa música, aliás, o superpatriota americano Rob Dukes pega a bandeira do Brasil, coloca em suas costas e, naquele momento, ele é brasileiro. Canta com força e interage com o público. Perto do final ele pergunta: “e ai, fodelões! Estão cansados, né? Que tal uma música lenta pra descansar?”, para o qual o público responde, em coro: “NÃO!”. Tréplica: “Ótimo! Porque nós não temos nenhuma!”. Aí ele girava o indicador um pouco e mais um gigantesco redemoinho no público se abria.
“BANG YOUR FUCKING HEAD!” - É pra já, senhor.
Rob Dukes comenta que o tempo é curto, e logo depois estamos vendo o Symphony X. Com um power metal bem diferente, o Symphony X tem uma fiel legião de fãs no Brasil e muitos estavam esperando esta apresentação em particular. O carismático vocalista Russell Allen (com quem, aliás, encontramos no avião para São Luis e tivemos uma boa conversa) realmente soube cativar os milhares de fãs ali presentes, e até mesmo “invadia” o palco ao lado depois que a estrutura do Megadeth já estava “montada”. De um estilo diferente, em vez das rodas e mosh pits, era mais comum vermos,a galera pulando sem parar. A notável habilidade de Michael Romeo na guitarra era outro destaque da banda, e isso funcionou muito bem nas power ballads da banda, coisa realmente incomum para o festival. E que voz tem o cara. Memorável.
Michael e Russell
Logo depois era a vez do show do Megadeth. Houveram muitos problemas que atrasaram a apresentação do representante do Big 4. Muito tempo levou-se para arrumar todo o equipamento e, de certa forma foi em vão. Eles tiveram de reclamar e sair do palco o tempo inteiro para falar com a equipe. A equipe do Megadeth, aliás, ajudou durante o festival e emprestou parte do equipamento de som e backstage. Tudo isso com camarins improvisados. Parte de tudo estava montado desde manhã. E com o atraso, o show começou muito tarde.Em meio a fumaça e um público mais do que eufórico, notamos o som da bateria de Shawn Drover, na intro de Trust, e logo depois Dave “Jr.” Ellefson dá as caras. Nisto, já não havia uma pessoa calada sequer. Chris Broderick aparece instantes depois. E no início do riff principal, correndo, chega a mítica figura de Dave Mustaine.
E o esperado show do Megadeth começa
Com a voz certamente prejudicada pelos anos de estrada e mais prejudicada ainda pelo sistema de som, Mustaine se esforça mas consegue fazer o povo ouvir sua voz. É claro, muitas pessoas cantavam junto. A temporização da bateria parecia um pouco diferente e, durante Hangar 18 a guitarra de Mustaine soou um pouco mais lenta. Olhávamos para trás e dava pra ver pessoas flutuando na plateia. Um clássico não tão executado nos shows nos foi presenteado: She Wolf. A seguir rolou a tríade do último disco, Th1rt3en, comentado pelo frontman: “vocês já ouviram o último disco? Hã… eu já ouvi!”, e seguiu-se com Public Enemy No.1, (Whose Life) Is It Anyways e Guns, Drugs & Money. A obrigatória A Tout Le Monde pareceu mais pesada do que o normal, quase que executada da mesma forma que no Youthanasia, ao invés da forma da versão do United Abominations. É claro que sempre ouvimos Symphony Of Destruction em shows do Megadeth, mas houve um problema: a guitarra de Chris Broderick ficou sem som, dali para o show inteiro, deixando o riffeiro Mustaine com o trabalho de trazer peso. Broderick executava os solos mesmo sem o som da guitarra, que tentaram concertar e pelo qual pediram desculpas, e por isso foi muito aclamado e gritavam seu nome. Dave, comovido pelo carinho (e euforia) dos fãs, também fala que, não importa se ele é dos Estados Unidos e a galera daqui do Brasil, ele ali se sente um verdadeiro brasileiro.
Mustaine tocando um monstruoso solo de pagode
Mas era inevitável: com uma guitarra sem som e assistência técnica quase inexistente, a banda por conta própria teve de enjambrar um jeito de tocar as músicas, mas aquilo não duraria. Quando Ellefson veio falar com a galera já sabíamos: seria Peace Sells, Holy Wars… The Punishment Due e tchau. E foi o que aconteceu. As músicas foram executadas com maestria e o showman deu suas últimas palavras.
Restou voltar pra casa, extremamente cansados, com queimaduras, insuportáveis dores nos pés de tanto ficarmos em pé, com fome e com sono. Mas a paz não veio logo: se você ler a declaração oficial do governo, vai ver que a aproximação da produção foi nula, então o sistema de transporte era péssimo, e os fãs precisaram esperar muito tempo - às vezes horas - para encontrar taxis que os levassem para seus hotéis, e tudo sem taxímetro, por preços abusivos através de pré-negociação. E quem era campista ficava lá, sem condições de higiene e segurança. Tudo precário, nojento, humilhante e inseguro.
Quando cheguei no parque independência no dia seguinte, depois das 15h00 (por estar exausto), me falaram que o show só começaria depois das 18h00. Dessa vez tudo estava mais vazio, e a galera, querendo garantir lugar para descansar e comer, lotou a churrascaria e a loja de comida japonesa ao lado. Muito tempo depois, já sabendo das dezenas (literalmente dezenas) de cancelamentos, estávamos incertos sobre o que aconteceria com o festival. Estávamos lá na frente, e observamos o primeiro palco a ser desmontado. Muita gente estava se preparando para sair. Só nos animamos quando a primeira bateria estava montada.
Bastante tempo depois, com uma longa pausa para o teste de som, a banda local Ácido começa sua apresentação. A banda se dissolveu há tempos e se reuniu especialmente para o show. Com um thrash muito eficiente, as milhares de pessoas ali observavam um clima parecido com o Exodus old school: aversão aos chamados “posers”, o que fez com que a galera gritasse o refrão da única música em português do setlist: Posers Irão Morrer. A banda Ácido foi um alívio para quem estava “na seca” de bangear desde cedo, pela falta absurda de shows.
Depois de uma certa demora e mais testes de som (já que dessa vez só contávamos com um palco, ao contrário do dia anterior), a banda também brasileira Dark Avenger entra em cena. É um híbrido incomum, algo perto do thrash incorporado a um tradicional power metal. Foi algo intenso, e realmente dava esperanças aos headbangers de que, em meio a tanta coisa ruim, poderiam se divertir. O estilo semelhante ao Symphony X foi outra coisa que lembrou o dia anterior, e prendia muita a atenção do público. Guitarra muito bem executada, bateria e baixo pesados e vocais marcantes.
A que seria a única banda internacional da banda era a próxima. Mais ma vez houve um hiato entre as bandas por causa da produção preguiçosa. Mas os Holandeses do Legion Of The Damned chegaram para sua primeira apresentação fora do território europeu. Eles executam um som pesadíssimo e muito técnico, com vocais rasgados, riffs muito rápidos, bateria muito violenta e baixo em perfeita sincronia com a bateria. Eles fazem um muito característico: suas música não possuem solos de guitarra, e no lugar destes há trocas constantes na temporização e direcionamento dos riffs. Os riffs são todos - eu disse TODOS - muito viciantes. A banda é uma espécia de thrash puxado para o death metal. A primeira música foi a música homônima: Legion Of The Damned. E outros clássicos como Werewolf Corpse e Malevolent Rapture deixaram o público bangeando ininterruptamente. Houve também execuções do disco Sons Of The Jackal, Full Of Hate e do recente Descent Into Chaos.
Legion of the Damned
Agora, longa pausa. Não, não é figura de linguagem. É longa pausa MESMO. A esse ponto já tínhamos perdido a noção de tempo e estávamos exaustos demais para checar o relógio. O tempo de espera entre os shows era mesmo muito irritante. Mas esse foi o maior de todos. Maior que qualquer um no primeiro dia. Pelo visto uma equipe inteira teve que mudar completamente o sistema de som, mudar tonalidades, som de instrumentos, amplificadores, cada tipo de batida em cada prato, tom e bumbo da bateria, tudo. Talvez esse tempo de espera tenha excedido uma hora. Questionávamos se estava valendo a pena.
A nossa resposta veio “logo” a seguir. Era a vez dos brasileiros do Korzus. Estávamos sedentos por metal e não sabíamos que estava por acontecer o melhor show do festival. Melhor que o Exodus, Megadeth, Destruction, Anvil ou Exciter. E se Venom, Anthrax, Obituary, U.D.O. e até mesmo o Annihilator tivessem vindo, a coisa teria ficado tão incrível. Exodus e Orphaned Land foram talvez as que mais se aproximaram desse clima.
O que quer que eu falar, vai ser pouco digno para um breve comentário. Esse show em particular merece um grande texto, então segue aí um resumo elevado ao cubo.
O Korzus foi o ponto alto do festival, e merecia ser headliner. O vocalista Marcello Pompeu deu um show e mostrou ser um frontman e tanto. Não que já não soubéssemos.
Falou sobre as decepções, tratou os fãs com respeito, fez a galera pular (e correr e empurrar e fazer mosh e wall of death e etc.), chamou a imprensa pra ver do que o headbanger brasileiro é feito, protestou, mandou brasa.
Marcello ‘fucking’ Pompeu
Dick Siebert, como sempre, estava lá bangueando para os lados e fazendo a porra toda ficar pesada. O carismaticamente destruidor Antônio Araújo martelava as cordas de sua guitarra em solos e riffs potentes, dividindo o ramo com o não menos explosivo Heros trench. O trator-humano Rodrigo Oliveira não dava pausa para os bangers: porrada no bumbo!
Rolou o Hino Nacional brasileiro em coro, demonstração de paixão pela cena metaleira do nosso país, massiva execução do símbolo dos “chifres” de Ronnie James Dio, e muito, mas muito metal. E além dos clássicos em português e do Pay For Your Lies, houve material dos mais recentes trabalhos dos álbuns exclusivamente de petardos Ties Of Blood e Discipline of Hate. Os simpáticos (e brutais) metaleiros do Korzus parecem estar relembrando ao país que do Brasil sai metal da melhor qualidade. No gênero do thrash metal, o Korzus é o Big 1 brasileiro. O show parecia ter mesmo a fúria dos ausentes do Ratos de Porão (que cancelaram o show naquele dia) e do Krisiun (que estão em turnê mundo afora).
É assim que se faz um show de metal
Um fôlego é necessário para contar a história toda. Confiram aí o vídeo da wall of death:
Já dá pra ver, né? Mas teve muito mais.
No final, estávamos rindo do fato de que estávamos amplamente decepcionados, tamanha fora a energia passada pelo Korzus. Desta vez, o sistema de taxis estava mais atento e, mesmo cansados, ficamos tristes ao ouvir no dia seguinte que tudo estava acabado. Mas talvez nem devamos pensar nisso.
O festival Metal Open Air, em São Luis, provou ser uma esperança dos fãs de música pesada de que m dia tenhamos a cena amplamente apoiada em nosso país, o que de fato não acontece hoje.
O setor de produção e gerenciamento provou eficiente em muitas áreas, e quando errava corrigia seus devidos erros. Mas, aparte de uma pequena confusão com os horários dos shows e algumas informações faltando no site oficial, para guiar o público, o que é tolerável, eles cometeram uma falta grave. Por erro da produção na liberação de informações e falta de contato direto com as bandas, a Shadowside cancelou sua apresentação. Isso fora informado alguns dias antes do evento, e no site oficial houve explicação do ocorrido, onde a produção responsabilizou-se por tudo.
Ficamos tristes, pois além da Shadowside, o Krisiun, para a tristeza de muitos, já havia cancelado sua apresentação, mas aqui por motivos próprios: eles estavam em turnê na América do Norte. Ficamos também com a incógnita do Torture Squad, outra banda icônica do death/thrash brasileiro, que, no meio tempo, contou com a saída de seu vocalista, e por ora não sabemos se a banda vai tocar sem Vitor, portanto em trio.
Tudo bem, pensamos. Não sabemos exatamente o que está acontecendo por lá, quem sabe algo tenha ocorrido, nem tudo sai perfeitamente.
Mas três dias antes descobrimos através do Facebook de Nando Mello, baixista do Hangar, que nem tudo estava bem: a banda seguia sem informações definitivas e não estava sendo contactada regularmente pela produção. Sequer tinham recebido o cachê, e pelo menos uma grande parte era necessária para a banda transportar, hospedar e alimentar a equipe, que estava no Infallibus, o ônibus da banda. A banda estava em Recife, numa turnê de workshops que chegou ao nordeste do país.
Temíamos que não chegássemos a ver o grupo se apresentando, e que mais uma das mais icônicas bandas do metal brasileiro tivesse sido deixada de lado.
Um dia antes do primeiro dia de festival, a mancada repetida se confirmou. Lia-se no site oficial do Hangar que a produção realmente havia ignorado o combinado, tornando inviável a apresentação. A banda já teria comprado, com recursos próprios, a passagem aérea do vocalista André Leite, que estava em Porto Alegre e encontraria a banda em São Luis. O baterista Aquiles Priester detalhou o ocorrido em sua postagem.
Confesso que quando chegamos no aeroporto de São Luis eu fiquei esperançoso com a situação do Hangar, porque havia pessoas com camisetas da banda do lado de fora, e pensei que talvez fossem parte da equipe esperando André ou algo do gênero.
Mas, vamos ao ponto. O caso do Hangar e da Shadowside tomou forma de desrespeito ao metal nacional. O metal nacional que é amplamente considerado no exterior como um dos movimentos mais consistentes e guerreiros da música pesada. É muito comum ouvir elogios da boca dos gringos sobre a música que apoiamos, e shows brasileiros no exterior nunca passam a desapercebido. Imagino que a produção tenha, de fato, encontrado problemas, mas quando se trata de contratar bandas, não se pode bobear assim. Porque é difícil manter o ritmo em uma banda de metal hoje em dia. E as que conseguem através de tanto esforço merecem respeito. Alguém acostumado a chamar bandas mundo afora não cometeria erros assim. Lamentável. É, é lamentável menosprezar o metal brasileiro, que é cheio de raiva, força, poder. E sim, eu sou muito fã das bandas internacionais que vão estar lá. Mas já está mais do que na hora de dar ao metal brasileiro o respeito e apoio que merece. Na próxima Negri Concerts e Lamparina Records, levem a sério, porque os fãs se decepcionam.
Veja aqui o site oficial do Hangar noticiando o cancelamento, e aqui o anúncio da organização do festival sobre o cancelamento da apresentação do festival.
Para finalizar, de última hora, recebemos a terrível notícia de que a banda que fecharia o evento, os britânicos lendários do Venom, tiveram sua apresentação cancelada, pois os vistos para a banda e equipe não sairiam a tempo para a turnê sul-americana.
O baixista e vocalista Cronos, o lendário criador do Black Metal, comentou, com raiva, no site oficial: “Mas que merda! Me disseram que nossos vistos foram mandados para a África por engano, como diabos isso poderia acontecer? Ouvimos que outras bandas também tiveram problemas com seus vistos. Fiquei lívido pra caralho com isso.”